Apicultura: uma atividade regida pela natureza

Em comemoração ao “Dia do Apicultor”, celebrado no dia 22 de maio, IIP mostra as particularidades da produção de mel, um trabalho que depende do capricho da natureza

Além do sabor e aroma inconfundíveis, o mel é um alimento versátil com diversos benefícios para o corpo. A relação entre a iguaria e o ser humano remonta a Antiguidade e hoje a apicultura, importante atividade do setor agropecuário, é uma alternativa de renda para muitas comunidades.

Celebrado em 22 de maio, o Dia do Apicultor foi definido em homenagem à Santa Rita de Cássia, padroeira dos profissionais que trabalham não apenas com a produção do mel, mas também com outros derivados das abelhas, como própolis, geleia real e pólen. A atividade exige não apenas um profundo conhecimento sobre o cultivo e sobre o habitat das abelhas, mas também cuidados específicos.

A apicultura causa impactos positivos nos âmbitos social e econômico e tem cada vez mais contribuído para o crescimento da agricultura familiar, gerando fontes de renda para famílias que vivem nos campos. É o caso dos apicultores e colaboradores da Cooperativa dos Apicultores da Região de Ribeirão Preto (COOPERAPIS), que durante todo o ano trabalham nas florestas de eucalipto da International Paper, em uma parceria que começou em 2011, por meio do projeto Apicultura Solidária, uma iniciativa do Instituto International Paper.

Além de gerar renda, o projeto ajudou a fixar os apicultores em um local, sem que eles precisem viajar grandes distâncias por dia. “Somos em torno de 20 cooperados mais colaboradores e esse trabalho é a grande fonte de renda que sustenta nossas famílias”, explica o presidente do COOPERAPIS, José Antônio Monteiro, que trabalha na área há mais de 30 anos.

Ele conta como funciona a rotina dos cooperados, estipulada pelas condições climáticas e pela natureza. “Cada dia é um dia. Quando não estamos em uma área, estamos em outra. Se o tempo não favorece, trabalhamos no campo ou estamos no barracão, mexendo com a cera. E durante todo o ano é assim”. O volume da produção também é incerto e não depende apenas do esforço dos apicultores.

“A produção depende do ano, em um produzimos mais, em outro menos. O mel faz parte da agricultura e a agricultura depende muito do clima, da chuva, da seca, tudo isso influencia nossa produção. Ano que chove muito, como esse, é mais complicado já que a flor não segura muito néctar, que é lavado pela água”, explica Monteiro.

A falta de chuva, entretanto, também pode ser um problema. “Quando não chove, a flor do eucalipto não floresce, o que impede a polinização pelas abelhas, impossibilitando a produção de mel, o que faz com que seja necessária a migração dos insetos”, continua José. A migração das abelhas é uma das atividades mais importantes da produção, e pode garantir a sobrevivência das mesmas. “Chega a época da florada e temos que migrar para uma área de flores silvestres, para que a abelha encontre alimento. A produção só vai acontecer novamente a partir de setembro”, completa.

Esse trabalho exige certas normas, destaca Monteiro. “É necessário manter uma higiene impecável. Estamos sempre em cima de um cavalete, protegidos da terra. A centrifugação é feita em uma sala adequada”. Ele explica ainda que nessa profissão, a experiência de trabalho conta muito, mas é fundamental que os apicultores nunca parem de estudar sobre o tema, participando de cursos sempre que possível.

Apicultura Solidária

A renda de José Monteiro e dos outros 24 apicultores é fruto de uma parceria muito importante, firmada em 2011, entre o Instituto International Paper e duas cooperativas. O projeto, chamado Apicultura Solidária, incentiva a produção de mel nas florestas de eucalipto da IP, nas cidades de Luiz Antônio, Mogi Guaçu, Altinópolis e Brotas, no Estado de São Paulo.

E sem ele, a realidade dos apicultores da COOPERAPIS seria bem diferente. “Essa parceria agregou valou à nossa produção, que hoje inclusive conta com uma marca própria. Sem a parceria com a IP, não teríamos floresta de eucalipto para colocar as abelhas e teríamos que migrar para regiões distantes. Hoje nosso trabalho é positivo e temos um grande suporte da IP. Eles sempre nos dão muita atenção em tudo que precisamos, há sempre muita conversa, fundamental para nosso trabalho”.

Além de gerar renda para apicultores regionais, o projeto também oferece oportunidades para que as cooperativas vendam o mel para distribuidoras e dentro da própria empresa. O Apicultura Solidária já trouxe resultados muito significativos, desde sua implementação mais de 40 toneladas de mel já foram produzidas.

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